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CAROLINA NISHIKUBO

Carolina Nishikubo, formada em Rádio e TV pela UNESP (2010), com especialização em roteiro pela UCLA Extension (2015), foi produtora de desenvolvimento da série “Pedro e Bianca”, ganhadora do prêmio Emmy Kids (2014). Foi roteirista do piloto da série “de Menor” criada por Caru Alves e Marton Olympio. Roteirista colaboradora no filme “Turma da Mônica – Laços” (2019) e "Reação em Cadeia" (2021) escrito por Thiago Dottori. Assistente de roteiro da 2T da série Coisa Mais Linda da Netflix (2020), do filme “A viagem de Pedro” escrito e dirigido por Laís Bodanzky (2021) e da minissérie "Todo Dia a Mesma Noite" para a Netflix escrita por Gustavo Lipsztein e dirigida por Julia Rezende (previsão 2023). Em 2021, foi semifinalista do concurso de roteiros do Festival Cabíria com a série de ficção Rima das Minas. Atualmente tem um contrato de opção com a produtora Paris Entretenimento com a série "Rima das Minas".

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ENTREVISTA

Conte um pouco sobre sua trajetória na área de roteiro! Como começou? o que faz atualmente?

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"No roteiro, eu sempre digo que comecei quando fui fazer minha especialização na UCLA em 2014. Foi mais de um ano estudando e estagiando em Los Angeles. Após o curso, voltei ao Brasil e foquei nos trabalhos de roteiro. Apesar de ter feito produção antes da especialização, ao voltar, preferi não aceitar os trabalhos em produção para o mercado saber que o meu foco era em roteiro. Fiz muito “networking” no começo. Fui atrás de roteiristas que eu já havia tido contato por conta da produção e pedia uma conversa sobre a área, mas aproveitava também para falar sobre mim e os meus novos objetivos. O primeiro a me dar uma oportunidade na área de ficção foi o Thiago Dottori em 2015. Comecei fazendo análises, mas logo ele me chamou para assistência e colaboração em diversos projetos que ele era o roteirista principal. Os trabalhos de mais destaque foram o “Turma da Mônica – Laços” (2019) e o “Reação em Cadeia” (2021). Vivo trabalhando com o Thiago e hoje em dia viramos grandes colegas. Após o Turma da Mônica, esse trabalho me levou a conhecer a diretora e roteirista Laís Bodanzky, que estava procurando uma assistente de roteiro para o seu novo longa chamado “A Viagem de Pedro” (previsão 2022). Depois de trabalhar em longas, tive a oportunidade de ir para as séries. Fui assistente de roteiro para a segunda temporada da série “Coisa Mais Linda” (2020) e estive em todo seu desenvolvimento na sala de roteiro, trabalhando com os criadores Heather Roth e Giuliano Cerdroni e as roteiristas Patrícia Corso e Mariana Tesch, chegando a ir para o set de filmagens para auxiliar os diretores sobre qualquer dúvida em relação ao roteiro. Trabalhar no Coisa Mais Linda, me levou a conhecer a diretora Julia Rezende, que me indicou ao Gustavo Lipsztein roteirista de seu próximo projeto, uma minissérie sobre a tragédia na Boate Kiss, “Todo dia a mesma noite” (previsão 2023), adaptação do livro de mesmo nome. Após trabalhar com o Gustavo na série da Kiss, trabalhei com ele na elaboração de bíblias de séries para venda. Ao mesmo tempo, desenvolvi projetos pessoais e hoje em dia tenho um contrato de opção com a produtora Paris Entretenimento da série de minha autoria chamada “Rima das Minas”, que foi premiada como semifinalista do concurso de roteiros – categoria série ficção – no Festival Cabíria.

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Os livros de roteiro oferecem uma forma padronizada de estrutura que “funciona” nas telas. Qual sua opinião sobre esses padrões? Você segue esse tipo de estrutura (três atos, pontos de virada, clímax) em seus roteiros?

A minha formação em roteiro foi bem acadêmica. Na faculdade, conhecia poucos livros sobre roteiro - só os mais famosos por aqui - o do Syd Field, o do Mckee e um manual de roteiro de série da Ellen Sandler. Na especialização fui ter conhecimento de outros mais: Vogler, Aristóteles, Truby, Seger, Gulino, Yorke, entre outros... Um dos professores aconselhou que se fosse para ler os manuais, não ler apenas um, ler então todos e usar o que servir mais para mim. Por causa dessa formação mais teórica no começo, digo que os manuais me ajudaram a entender sobre a construção da história, porém é só com a prática que realmente descobri como se escreve um roteiro e se conta uma história. Com a teoria eu fui descobrindo como me organizar, por onde começar e quais os caminhos seguir quando eu empacasse. A teoria me deu base e segurança para eu seguir com a minha escrita, porém é só na prática da escrita e reescrita que a gente entende a história que queremos contar. É durante o processo que vamos descobrindo cada pedacinho dela e como torná-la mais atraente para o leitor. 

Das estruturas, consigo ver muitas similaridade entre elas e os projetos parecem se encaixar em diferentes tipos. Eu sempre começo o com o básico começo, meio e fim. Porém também presto atenção no ritmo, nos pontos alto e baixos durante o arco. Já usei a jornada do herói, os 3 atos, 4 atos, 5 atos, 8 sequências... enfim, acredito que o projeto vai me falando qual usar para colocar o esqueleto de pé, ao mesmo tempo, vou prestando atenção nos vários outros elementos que temos no roteiro além da estrutura. 

 

Syd Field escreve: “resolva suas histórias com “finais pra cima!” e também que “Os dias de finais ambíguos acabaram. Ficaram nos anos 60. Hoje, o público quer uma resolução bem definida.” Qual sua opinião sobre isso?

A primeira edição do Manual de Roteiro do Syd Field é de 1982. Já se passaram quase 40 anos desde seu lançamento. Acredito que o cinema, o audiovisual, evolua com o tempo e muita coisa mudou desde então. Além disso, existem diferentes tipos de filmes. Sou muito mais atenta ao que aquele filme quer me dizer do que se ele tem um final para cima ou ambíguo. Para mim, tudo funciona se o objetivo do autor é alcançado. Grande parte do meu gosto pelo cinema está no que ele me faz refletir. Porém, eu gosto de finais definidos. rs.

 

Em histórias em que o conflito é interno, como você trabalha o roteiro?

Eu sempre trabalho com os conflitos internos. Em alguns livros, eles chamam de personagem três dimensões. Pra mim, não existe apenas o conflito externo, se for só isso, é sem graça. O conflito interno é a sua arma para surpreender, é o que move o seu personagem, é o que vai fazer a audiência torcer ou não por ele. Um dos elementos cruciais no roteiro é definir bem o conflito interno dos seus personagens. Ou seja, ele está a todo momento presente na história e no roteiro.

 

O que você considera mais difícil no processo de escrita de roteiro?

Escrever. Rs. Porém é. Encarar a folha em branco é sempre muito assustador. Depois que você começa, percebe que o monstro é menor, que você consegue domá-lo, que você sabe escrever. Porém ele sempre vai existir. A chavinha julgadora tem que dar uma desligada. Depois tem que ser ligada novamente, mas esse desligar e ligar é um exercício constante de todo escritor.

 

Que dica você daria para um roteirista iniciante que não sabe por onde começar?

Leia roteiros e os escreva. Se aprende muito na leitura. Leia primeiro e depois assista ao filme. Tente entender como as questões da folha foram resolvidas na tela. Preste atenção no que funcionou ou não. E não esqueça de escrever. Vai ser difícil, mas o melhor jeito de aprender é escrever. Não desista, crie rotinas para escrever, mesmo quando você não se sentir confiante. Leia o que você escreveu. As primeiras versões serão difíceis também. Reescreva. Melhore. E depois as coisas vão parecer fluir mais, você vai ter menos dificuldade para encarar a sua história.

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Data da entrevista: 3 de dezembro de 2021

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